Sororidade: como as redes de apoio fortalecem as mulheres

Um dos grandes mitos da nossa sociedade é o da rivalidade entre mulheres. Ele vem sendo construído e desconstruído em diferentes esferas e é ainda difícil avaliar se realmente está em queda, como gostaríamos.

O que é sororidade?

Essa pretensa rivalidade gera uma sensação de solidão e de que precisamos resolver nossos problemas e enfrentar nossas dificuldades sozinhas. Por isso, com o crescimento do movimento feminista, o termo sororidade ganha espaço.

“Sororidade é a ideia de solidariedade entre mulheres, que se apoiam para conquistar a liberdade e a igualdade que desejam. É respeitar, ouvir e dar voz umas às outras sem julgamentos.” Politize

As discussões em torno da equidade de gênero propõem uma união entre aquelas que compartilham das mesmas reinvindicações, dores e lutas. Dentro de espectro acolhedor, as mulheres passam a se reafirmar em uma consciente de libertação e, inclusive, questionar falácias patriarcais como, por exemplo, essa de que “uma mulher não pode confiar em outra”.

Surge, portanto, a rede de apoio feminina, a qual toda mulher merece e precisa. A partir dela, estimula-se o fortalecimento da figura feminina; são várias vozes compartilhando suas vivências e propondo-se a ajudar umas as outras.

Tecnologia como aliada

O que antes acontecia principalmente em formato presencial, olho no olho, tornou-se virtual desde 2020. Desde o início da pandemia, grupos de apoio feminino em redes sociais tem sido bastante utilizados como forma de lidar com todas as dificuldades que já existiam e que foram intensificadas com a pandemia. O que antes parecia impossível ser realizado de maneira online, surge como algo que aproxima e acalenta.

No cenário globalizador, a tecnologia é uma ferramenta que, se bem utilizada, colabora com a união de grupos minorizados contra opressões sociais, políticas e econômicas. Ela pode estreitar as relações atuais e aproximar indivíduos em qualquer lugar. Mulheres de diferentes lugares tem compartilhado suas experiências e percebidos semelhanças e diferenças. Podem assim, pensar em novas possibilidades de futuro.

A tecnologia e a internet, permitem também compreender com muito mais facilidade o contexto em que a pessoa está inserida. No caso das mulheres e do feminismo, diversos cursos tem surgido para trazer explicações sobre por que a desigualdade de gênero existe. Um exemplo é a aula Caixa de Ferramentas, do Curso sobre feminismo Por que Lutamos?.

Além de acessar conhecimentos, as mulheres podem também dissertar sobre seu local de fala, expondo sua vivência. Isso permite que outras mulheres se conectem com sua história e em última instância impacta as estruturas sociais. Permite que a voz de todas as mulheres sejam mais ouvidas.

As diferentes identidades

A redes de apoio funcionam melhor quanto maior o grau de identificação das pessoas que dela fazem parte. É muito comum que mulheres que se tornam mães, por exemplo, passem a integrar grupos compostos exclusivamente por mães. Elas passam por situações similares e podem se acolher, seja oferecendo ajuda ou simplesmente estando lá para ouvir.

Da mesma forma, grupos de mulheres negras, lésbicas ou trans existem para incluir a perspectiva desses diferentes marcadores sociais. É possível com isso, refletir sobre como eles afetam de maneira diferente as diferentes mulheres. Encontrar esses espaços pode ser libertador. Tira a sensação de estar sozinha no mundo e permite encontrar eco em questões que aparentemente são individuais.

Os grupos de apoio e a sororidade são, portanto, uma poderosa ferramenta para que as mulheres possam ocupar mais espaços e apoiar umas às outras na transformação da nossa sociedade. É sobre estar entre iguais para perceber as diferenças e trabalhar juntas para transformá-las.

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